Entrevista Serpent Rise
Por Eduardo Tristis
O Serpent Rise junto com Mythological Cold Towers e Eternal Sorrow estão entre as maiores bandas de Doom Metal brasileiras. Surgido em 93 o Serpent Rise nos enche de orgulho e não deve nada as grandes bandas do gênero como Anathema,Paradise Lost e My Dying Bride.Foram lançados algumas demos e eps e o único full-lenght da carreira Gathered By... Mesmo após passar por muitas dificuldades e trocas de formação, o Serpent Rise segue sempre vivo dentro do coração do líder e fundador da banda Agnaldo que concordou em nos conceder essa entrevista e expor seus sentimentos.
Como o Serpent Rise foi formado?
Agnaldo: Eu e o Júlio tínhamos as mesmas influências musicais e partilhávamos a mesma necessidade musical. Nós queriamos fazer uma musica que tivesse andamento lento, porém, mesclada a partes rápidas recheadas de atmosferas criadas por teclados e influencias de outros estilos não tão distantes do metal. Em janeiro de 1993, nós começamos a desenvolver algumas ideias, começamos a buscar pessoas para completar uma formação, então, ainda no primeiro semestre daquele ano conseguimos ter uma formação para gerar o que alguns meses depois seria nosso primeiro registro: "Anastenárides". O nome, inicialmente, veio sob a inspiração de uma banda, ao qual somos eternos fãs e que foi uma das criadoras do estilo, ou seja, os ingleses do Cathedral. Ao longo dos anos fomos descobrindo que havia um sentido místico para o nome e que poderia ser associado à kundalini, também, o que dá força ao nome Serpent Rise
Coloco o Serpent Rise juntamente com o Eternal Sorrow como os maiores nomes do Doom Nacional, como depois de tantos anos de estrada, vocês conseguem manter a sua sonoridade sem descaracterizá-la?
Agnaldo: Muito bem lembrado, os amigos da Eternal Sorrow iniciaram sua trajetória quase que simultaneamente a nós, mas acredito que eles funcionem mais como banda do que nós, porque os problemas com formação sempre foram e são um atraso de vida para a Serpent Rise. Eu acho que a razão para que a sonoridade, da banda, não tenha sido descaracterizada, seja porque os novos membros sempre foram apresentados a historia passada, da Serpent Rise, a musica e ao estilo no qual a banda sempre fez questão de estar inserido e isso fez com que houvesse o acréscimo de novas influencias, novas sonoridades, mas dentro do contexto doom ao qual sempre permanecemos.
Gathered By... está entre os grandes clássicos do Doom Nacional, como você se sente em relação a esse trabalho nos dias de hoje?
Agnaldo: Fazem 14 anos que este álbum foi gravado (1996) e apesar de ter sido lançado oficialmente em 1998, no Brasil, e de forma não tão oficial na Europa, em 2000, nós nunca tivemos uma boa promoção da nossa musica e do nosso nome por parte da gravadora, porém, com ajuda da internet resolvemos disponibiliza-lo, para download gratuito, fazendo com que a nova geração tivesse acesso à esse material e para nossa surpresa sempre somos bem aceitos pelos ouvintes que além de gostar de nossa música querem comprar o CD físico... eu me sinto altamente lisonjeado com isso!
Como foi tem sido a recepção ao “Ep” Euphoric Waves Of Melancholy último trabalho da banda?
Agnaldo: Tão logo concluímos as gravações desse ep aconteceu uma debandada geral, dos membros, ficando apenas eu e o baixista. Eu decidi não comercializar e divulgar esse trabalho. Mas ele pode ser encontrado, para download gratuito, em alguns bons blogs. Os comentarios, poucos, que chegaram sobre esse registro musical são positivos e isso me deixa satisfeito, porque foi uma fase da Serpent Rise que eu gostei de ter vivido.
O Serpent Rise tem feito muitos shows?
Agnaldo: Atualmente não, porque não há uma formação completa, mas para o futuro quem sabe... ! ? rsrsrs
Sempre que me deparo com fãs do Serpent Rise costumam ser de longa data e já acompanham a banda há bastante tempo, você acha que falta interesse dos headbangers mais novos em conhecer bandas mais antigas da cena?
Agnaldo: No caso da Serpent Rise, uma banda que nunca teve uma boa divulgação, eu não posso creditar culpa a nova geração, por sermos desconhecidos, até porque recebo muitos e-mails de pessoas jovens que baixaram nosso som, em algum blog, no myspace oficial, dizendo que adoraram e que querem comprar o cd físico. A nova geração está "catando" tudo o que encontra, sim, mas o que nunca mudou é a nossa mania de cultuar primeiro tudo o que vem de fora... as bandas gringas... brazuca!
Voltando ao “Ep” Euphoric Waves Of Melancholy notamos o velho Serpent Rise com algo mais moderno e uma melhor produção. As mudanças de formação ao longo dos anos foi o responsável por essa sonoridade?
Agnaldo: Eu acredito que a cada troca de formação seja natural uma banda soar diferente, até porque novos membros trazem novas influencias, novos feelings, mas como já disse antes a sonoridade da banda pode ter recebido acréscimos de influencias,porém, continua inserida dentro do contexto doom metal ao qual Serpent Rise pertence desde sua criação.
Quais foram os pontos altos e baixos da estrada do Serpent Rise até aqui?
Agnaldo: Os pontos altos foram todos os shows que fizemos de 1993 até 2008. Todos os amigos e amigas que estavam presentes nessas apresentações e que depois vinham conversar conosco.
Os pontos baixos... não houveram nenhum!
Sempre achei que na nossa cena existem diversas bandas promissoras, mas que não obtém o apoio necessário, você acha que as gravadoras teem medo de investir no doom metal e preferem buscar estilos em maior destaque como o Death e Black metal?
Agnaldo: Bom, atualmente, com o livre acesso aos mp3, eu acho que as gravadoras estão com medo de investir em qualquer tipo de música. Sendo assim, especificamente falando do doom, eu acredito que ninguém vai querer investir seu dinheiro lançando um álbum, de uma banda, de um estilo, ao qual o público é seleto e que não trará lucros para a gravadora. O que podemos esperar é que essas bandas promissoras começem a lançar por sí mesmas os seus álbuns... como exemplos: A Sorrowful Dream , Scarlet Peace
Você conhece o trabalho de bandas como o Trinnity. Soturnus e M-26 que mesmo apresentando uma imensa qualidade não conseguiram gravar o seu Primeiro Full-lenght?
Agnaldo: Eu acompanho a cena doom, desde os primórdios da década de 90, então, eu já tive contato, já troquei material, já acompanhei relatos (por carta) de amigos iniciando as atividades de suas bandas e te garanto que existem bem mais bandas brasileiras que não conseguiram lançar seu primeiro álbum apesar de ter um material de qualidade e de criatividade. Especificamente falando desses três exemplos, de banda, que você citou, eu conheço, respeito e gosto muito do trabalho delas. Abro um parêntese para falar que ter dividido o palco algumas vezes com M-26, ao longo desses anos, foi uma honra tamanha e que espero um dia poder dividir o palco com Fake Twilight (nova banda de alguns membros da M-26) porque também será uma honra e um prazer imenso!
Quais são os planos futuros, existe a possibilidade de um novo álbum este ano?
Agnaldo: A serpente continua hibernando...
...enquanto eu não encontrar , aqui , pessoas (músicos) com o espírito , o conhecimento , a dedicação , a maturidade , o talento a altura que merece a banda , ou o nível dos membros, que já passaram por ela, eu prefiro deixar SERPENT RISE vivendo na lembrança de cada apreciador(a) de ATMOSPHERIC/DEPRESSIVE DOOM METAL desse planeta.
Como você compara a atual cena com a época que o Serpent Rise começou?
Agnaldo: Vou ser bem especifico, ou seja, vou falar só da “cena” doom metal. Eu acho que continua a mesma coisa! Lógico, aconteceu uma renovação de bandas, de público, porém, a carência de uma gravadora, uma revista especializada, um circulo de promotores de shows, para especificamente promover o estilo, continua fazendo com que o doom, as bandas brasileiras, fique no underground do underground e sofrendo preconceito por parte dos próprios apreciadores de som extremo.
Por fim muito obrigado por ter respondido a todas as perguntas, que o Serpent Rise possa sempre alcançar vôos mais altos, deixe um recado para os fãs e este espaço é livre para as suas considerações finais.
Agnaldo: Eu é quem devo agradecer a você Eduardo Tristis por proporcionar a mim a oportunidade de expor um pouco dos meus pensamentos e um pouco da história da minha banda... Obrigado! Para você, que teve a paciência de acompanhar essa entrevista até aqui, eu quero dizer que o underground só existe, porque você faz parte dele e o mantem vivo! Peço que continuem apoiando as bandas brasileiras comprando os CDs, demo tapes camisetas, baby looks, indo a shows, comprando os zines impressos e visitando os webzines.
Obrigado a todos...
Mandem um abraço em meu nome a todos da banda!
Obrigado.
Fotos:
http://www.youtube.com/watch?v=PW0KEydpT04
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